Viver a decisão não é sua

 

Eu sobrevive a mais temida das perdas: filha nunca deixa de ser filha.

todos os dias ao abrir os olhos,ao invés de um bom dia; eu digo até breve. Em seguida, pego a cadela de minha filha e vou passear na eminência de sair do enredo imaginário que criei durante a noite que quase sempre passo em claro. Volto do passeio ,vou direto pro quarto, abro janela e deixo a porta do armário entre-aberta, ainda resta roupas e sapatos que não consigo doar, pois  exala seu perfume e isso é tudo que me resta…a porta do quarto está sempre aberta, tenho medo de fechar e não conseguir abrir.

Decidi tatuar minha filha no corpo, telefonei para o tatuador e chequei a viabilidade do intento, marquei consulta e no dia seguinte estava lá no primeiro horário. Hora da verdade, ele me perguntou por qual motivo, quando falei ele ficou chocado como todos interlocutores em todas as vezes que tenho de revelar essa informação. seu rosto está tatuado em meu braço com sua assinatura.

Eu ainda não consigo descrever os primeiros dias de angustia e desespero que vive logo após a morte de minha filha, só sei que sobrevivi…e como dói afirmar isso…conviver com a realidade é morrer todos os dias e sentir o sabor da amargura da vida.

Deus, ele te levanta e te faz renascer, a fé é o combustível que move sua esperança de um novo amanhecer.

 

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